Alt-Tab
Opcionalidade é exautivo
Eu sofro de uma doença moderna: opcionalidade crônica. Fui treinado para colecionar portas abertas. Aprendi que o sucesso é ter o máximo de rotas de fuga possíveis. Mas o que ninguém te conta em Harvard é que ter muitas portas abertas gera uma corrente de ar que não te deixa dormir.
O custo de oportunidade se tornou minha maior fonte de ansiedade, e eu já paguei o preço desse aprendizado. Sei que não estou sozinho, essa é uma doença crônica desde a minha geração, que enxerga na estabilidade da carreira única e linear dos pais algo boring e quer sempre mais, o tempo todo.
Por natureza, sou um “maximizer”. Aquele sujeito que racionaliza cada micro-decisão tentando extrair o último centavo de valor de cada escolha. É exaustivo. É o equivalente intelectual ao scrolling infinito de redes sociais ou ao Alt-Tab maníaco enquanto fingimos ouvir uma reunião no Zoom. Estamos presentes em cinco lugares e, por definição, em lugar nenhum.
A vida me ensinou: tratar a sua cadeira atual como um mero “degrau” é o caminho mais rápido para a mediocridade. Quando você está com um pé na oportunidade de hoje e os olhos na de amanhã, você não está construindo; você está apenas de passagem. E o mercado sente o cheiro de quem está apenas de passagem.
A ironia? A verdadeira oportunidade não te encontra quando você está olhando por cima do ombro. Ela te encontra quando você está tão imerso no que faz que o resto do mundo desaparece.
Foco não é apenas uma estratégia de produtividade. É uma estratégia de saúde mental. Escolher uma porta e trancar as outras — ainda que temporariamente — é o único jeito de calar o ruído. A paz não vem de fazer a escolha “perfeita”, mas de decidir que a escolha feita é a única que importa hoje. O velho feito é melhor que perfeito.
Em um mundo de distrações infinitas, o foco é o ativo mais caro do mercado. E a paz? A paz é o dividendo que só quem para de dar Alt-Tab na vida consegue sacar. Para este ansioso que vos fala, manter minha auto-gestão é work in progress.
Let's hike!
Alex
“Caminhe como se estivesse beijando a Terra com seus pés.”
— Thich Nhat Hanh, Paz a Cada Passo: O Caminho da Plena Consciência no Cotidiano


O Barry Schwartz, autor do Paradoxo da Escolha, já trouxe que as gerações entregam menos hoje não por serem menos competentes, mas porque têm escolhas.
Antigamente, o playbook era o que vc comentou: formar, trabalhar, comprar casa, carro, casar, ter filhos e aposentar.
Hoje, você precisa lidar com múltiplas opções de formação, de moradia, de transporte, de carreira... avaliar quais fazem sentido e quais serão escolhidas naquele momento.
Tudo isso tem um custo. Quando você aplica sua energia em algo, está deixando em aplicar em outra coisa. Assim sendo, e energia que sobrava para a execução de tarefas já não é tão abundante, por mais que cada um esteja entregando seu máximo.
Um conceito que gosto de usar para fazer escolhas é o da impenetrabilidade física. Todos conhecem. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo.
Se você está escolhendo fazer algo agora, o que está ficando sem o seu tempo? Essa troca vale a pena?
É sempre uma boa reflexão.
(e às vezes tudo bem um pouco de dopamina, faz parte)
Abraço, meu querido!